sexta-feira, 17 de junho de 2011

Moda brasileira - um patrimônio cultural



A construção do plano cultural da moda no Brasil.

A moda é arte e ponto. A noticia do reconhecimento da moda como patrimônio cultural, pelo governo brasileiro é bom sinal de que a moda brasileira está conquistando espaços que merece. No Brasil, moda tem sido uma grande fonte de expressão de arte e cultura nacional o Plano Cultural da moda no país é um conquista merecida dessa área!

Reunidos em Brasília, em novembro do ano passado, os 15 representantes da moda no Conselho Nacional de Política Cultural aprofundaram o conteúdo do plano cultural para o setor, que deve ficar pronto em 2011. O documento vai compor o Plano Nacional de Cultura, com o intuito de desenhar o planejamento para a cultura nos próximos dez anos.
As diretrizes do documento foram definidas no I Seminário da Cultura na Moda, realizado em Salvador entre 27 e 29 de setembro do mesmo ano. Depois disso, um grupo – escolhido no próprio evento – ficou responsável por fazer a formatação técnica do conteúdo.
Durante a reunião ordinária do Conselho Nacional de Políticas Culturais, foram apontados quatro eixos orientadores para o documento: Cultura, Memória e Criação; Estado, Instituições e Redes; Formação, Educação e Pesquisa; e Financiamento, e Economia da Cultura. A partir dessas quatro grandes áreas serão definidas as diretrizes executivas e ações do Ministério da Cultura para o segmento.
Neste I Seminário de Cultura da Moda, o ex- ministro da Cultura , Juca Ferreira destacou o papel do Estado nesse novo momento. “Cultura é necessidade fundamental dos cidadãos. Se é direito, o Estado tem papel”, afirmou. Nosso papel – diz ele – não é fazer, mas criar condições para quem faz. (Veja ao final, trechos do discurso do ministro no evento.)
Também presente ao primeiro dia de debates, o diretor da São Paulo Fashion Week, Paulo Borges, elogiou o seminário como um primeiro passo para a construção dessa política. De acordo com ele, para se desenvolver realmente uma cultura de moda no país é necessário ter, ao mesmo tempo, boas escolas, indústria têxtil forte, como toda a cadeia produtiva atuando de forma inovadora.
Na visão, de Juca Ferreira, o Estado tem papel de oferecer linhas de crédito, estimular a criação de escolas de formação e valorizar todas as modas possíveis de serem disponibilizadas. Assim como defende Borges, a visão do ministério é que a política cultural promova a criação, a inovação e a experimentação, agregando essas caracteríticas aos produtos da moda. Para se ter ideia da força dessa economia, em 2009, a indústria têxtil do país movimentou US$ 47 bilhões.

Assento no CNPC

E Agora que a moda passou a ser compreendida pelo Ministério da Cultura como uma linguagem artística, o setor ganhou um assento no Conselho Nacional de Política Cultural! Os nomes do titular e do suplente foram definidos no mesmo encontro que debateu o plano cultural. O estilista Ronaldo Fraga (titular) e o empresário Paulo Borges (suplente) assumem a cadeira para o biênio 2010/2011.

Trechos do discurso de Juca Ferreira:
“ Buscamos desde o início de nossa gestão um diálogo constante com o setor de moda no Brasil. Isto porque acreditávamos que o Ministério da Cultura precisava, por uma série de razões, estreitar laços com os criadores e profissionais, as associações e instituições setoriais, assim como com os empresários e produtores deste complexo sistema da moda que estamos formando de uma maneira bem brasileira. 


A primeira razão era que assumimos uma forte agenda de economia da cultura e a moda era peça central nesta perspectiva aberta. Sabíamos que seria impossível desenvolver um modelo de desenvolvimento cultural sustentável para os inúmeros segmentos que estabelecíamos como focos de nossa atuação se nós não levássemos em conta a força agenciadora e propulsora que a moda tem. O cinema, as artes visuais, as manifestações tradicionais, a música, o teatro e tantos outros segmentos,precisam para se reposicionarem na sociedade contemporânea que suas cadeias produtivas sejam atravessadas pela moda, re-situando no mundo do consumo estas linguagens e tradições.
A segunda razão é que ao construirmos uma política internacional para a área cultura, redesenhando nossos marcos de presença global, trazer a moda para junto disso era um objetivo de primeira hora de nosso Governo. A moda nesse processo é um marco da nossa capacidade criativa e o grande veículo de difusão de nossas particularidades culturais, pois através dela podemos e devemos ser reconhecidos em todos os cantos do planeta de maneira positiva e consistente. Ela é um grande vetor de difusão de nossa diversidade brasileira pelo mundo, de traduzir nossos hábitos, nossas maneiras de ser e de sentir, nossa sensualidade e nosso jeito de viver o corpo no ambiente, tudo aquilo que nos dá feições brasileiras.
A terceira razão é que a moda é importante dinamizador do contexto sócio-cultural das cidades brasileiras. A moda hoje é um ponto forte para fazer a conexão cultura com o desenvolvimento de contextos urbanos complexos, como são os das nossas cidades que crescem com grande velocidade. Identificamos que as políticas locais demandavam investimentos no setor de moda, pois os agentes ali situados acreditavam que ela era uma das principais formas de afirmação cultural e de geração de renda daquelas realidades específicas.A moda hoje também é uma tecnologia social. Através dela podem ser gerados processos de incorporação simbólica de segmentos sociais e matrizes culturais partes da nossa formação, mas que carecem da visibilidade e reconhecimento por puro preconceito social.
Outras tantas razões foram aparecendo durante nosso percurso, outra tantas ainda estão por surgir na medida em que evoluímos neste diálogo.
Já sabemos que devemos construir centros de memória e de formação de alta qualidade; trabalhar com a difusão do repertório brasileiro de moda, apoiar os jovens talentos entre os criadores, ampliar e propiciar a nacionalização dos circuitos e semanas de moda; ajudar desenvolver a moda como um setor importante da nossa economia criativa, apoiar o desenvolvimento de um setor editorial e jornalístico, e assim por diante. Creio que estas questões todas vão ser delineadas de maneira mais precisa e profunda aqui nestes dias, tornando-se em breve um Plano Setorial de Cultura da Moda, documento que direcionará as diretrizes do Plano Nacional de Cultura. O plano será o guia de navegação que orientará investimentos do Fundo Nacional de Cultura e de seus programas específicos, permitindo também a avaliação sistemática dos resultados obtidos e as correções de rota.
O setor da moda já é e será cada vez mais um protagonista do redesenho desse Brasil que mostra sua cara e da presença brasileira neste novo mundo que se abre com o novo século que estamos começando. A construção de estratégias culturais da moda será uma grande contribuição para nosso país.”  Juca Ferreira.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Moda e estilo – qual é a diferença?



Já vimos como a moda tornou-se um sistema, surgindo do desejo de torna-se igual e de se diferenciar. Se você ainda não viu, leia “A invenção da moda” para entender melhor esse conceito. A discussão a agora é: Qual a diferença entre a moda e o estilo?

A moda tem o poder de nos inserir, ou mesmo excluir de um grupo, esse é o principio da imitação e da distinção que dá força e faz girar o sistema da moda. Dentro desse pensamento nos deparamos com outro conceito- O estilo.

Como disse, o estilo é um conceito inserido no pensamento de moda, mas não deve ser confundido com a própria moda. A moda é algo que se segue, o estilo é algo que se cria. Quem não se lembra de Audrey Hepburn? Elegante e graciosa, a musa de Hubert de Givenchy e embaixatriz da marca por cerca de 40 anos, Audrey criou o estilo ingênuo dos anos sessenta. Sabemos que um estilo geralmente vira moda, mas, essa moda passa. Quando a multidão deixar de segui-lo, o estilo continua acompanhando quem o cria ou quem se apropria dele.

A idéia de que o estilo é eterno, deve ser pensada com cuidado. Estilo também é liberdade! Devemos estar consciente de que o estilo é fiel ao comportamento e que o comportamento é naturalmente sujeito á mudanças que ocorrem durante a vida como forma de pensar, filosofias, fases da vida, carreira, região que mora... Enfim, as pessoas mudam! Então o mais correto é definir o estilo como algo que não é passageiro, efêmero.

Enquanto a moda é independente da personalidade, existe e está lá para ser seguida por quem quiser fazer parte de um grupo; o estilo reflete uma visão pessoal da moda. Pra ter estilo, é necessário, portanto, ter informação de moda. Saber como a moda do momento se aplica a sua personalidade e gosto pessoal (se é que ela se aplica) é fundamental pra estabelecer um estilo próprio.

Se você gosta da moda e valoriza o estilo, procure se conhecer melhor e busque expressar sua personalidade ao se vestir. Busque estar informada com a moda. Saiba renunciar as tendências que não são para você. Use apenas aquilo que você ama , quando vestimos algo que gostamos muito, nos sentimos seguros, e, a segurança dá força à personalidade ao vestir.

Desenvolver um estilo é um processo extremante pessoal. Com isso, podemos entender estilo como identidade, marca registrada em sintonia com a moda.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A Invenção da Moda

A moda se fez com a história e cultura da humanidade. É através do estudo da história e do pensamento de uma época que nos deparamos com uma invenção chamada MODA.
A moda, como a conhecemos , nasceu entre o séc. XIV e o séc. XV, quando as roupas passaram a ter um certo “prazo de validade”; antes disso poderíamos falar de roupa apenas como trajes ou vestimentas.  Porque até então, nas antigas civilizações como no Egito antigo, por exemplo, foram aproximadamente 3 mil anos de cultura sem mudar os tipo de vestimenta.  Os trajes eram diferenciadores sociais, um tipo de uniforme, você olha uma imagem de época e sabe quem é o Faraó e quem é o escravo.
Uma nova mentalidade
Entre os séculos XIV e XV a humanidade vive um período de transição entre o decadente Mundo Medieval e o Mundo Moderno, onde surge uma nova forma de pensar – o Renascimento, e com ele uma nova camada social, a Burguesia.


O nascimento de Vênus - Movimento renascentista 
Os burgueses eram antigos camponeses que se estabelecem nas cidades como comerciantes e artesãos.
Na idade moderna as mudanças se intensificam na Europa. Com crise do sistema feudal vem o crescimento das cidades e da burguesia, que prospera de tal modo que acaba ganhando importância social. Os burgueses eram responsáveis pelo comércio regional e internacional bem como o trabalho de funcionários da produção artesanal, financiavam novos negócios e faziam empréstimos, além de patrocinarem todas essas inovações sociais, políticas e culturais, os burgueses estabeleceram uma nova mentalidade econômica e novos hábitos de consumo.
O acúmulo de dinheiro (capital) começa a ser visto como forma de ascensão social (semente do capitalismo). Assim, o privilégio econômico e social deixa de ser exclusivamente dos nobres proprietários de terras.
Como se diferenciar
A burguesia era agora, portanto, uma camada social que tinha condições de adquirir roupas semelhantes ás dos nobres! O que não agradou em nada a nobreza, acostumada com sua distinção entre as demais camadas da sociedade.

Os baile - verdadeiros desfiles de moda
Os burgueses desejando ostentar sua prosperidade imitavam as roupas dos nobres, que se irritavam, e, para não ficarem iguais aos burgueses, inventavam uma roupa nova, mas é claro, era uma questão de tempo para burguesia logo copiar.
Essa dinâmica de criação pelos nobres e cópia pela burguesia fez surgir essa ideia de prazo de validade para as roupas. Todos queriam se vestir a novidade do momento. Os bailes eram verdadeiros desfiles de tendência... O prazo não era fixo, dependia de até quando os nobres não tinham sido copiados e enquanto pudessem desfilar sendo admirados pela sua distinção. Chegaram a existir até leis para restringir alguns tipos de tecidos e cores ao uso particular da nobreza.

Burgueses copiavam os nobres
O primeiro grande ícone de moda foi o francês Luís XIV (o rei sol) no século XVII, que vivia em clima de total ostentação no Palácio de Versalhes, alheio á pobreza do povo. Devido vaidade excessiva de Luis XIV, a França tornou-se o grande cenário ditador da moda.

Luis XIV - a ostentação do luxo
Com a revolução industrial no século XVIII, o custo dos tecidos diminuiu bastante, em 1850 com a invenção das máquinas de costura o custo dos tecidos caiu ainda mais. A partir de então, até os mais humildes puderam comprar roupas melhores e fazer suas próprias imitações. O que inevitavelmente deu mais força á dinâmica da moda. Imaginem a moça nobre, ou a rica dama burguesa vendo uma humilde moça com um vestido parecido com o seu!


Vale lembrar que neste começo, a moda sendo ditada pelos nobres, tinha os alfaiates e costureiros apenas como atendentes dos desejos da nobreza.

Os nobres de distinguem , quem pode, observa e copia
Assim surgiu a moda, palavra que vem do latim modus. Foi a invenção de um espelho que reflete o status social. A moda foi, e é, um fenômeno sociocultural que expressa o pensamento de um povo em um determinado momento.